Se você se vê repetindo atitudes do seu pai que jurou nunca repetir, ou, ao contrário, se esforçando tanto para ser o oposto dele que também não se sente livre, você está lidando com uma das heranças mais silenciosas que existem: a forma de ser homem que foi passada de pai para filho, muitas vezes sem uma palavra.
Por que é tão difícil escapar do modelo do pai?
Porque o que herdamos do pai raramente vem em conselhos; vem em gestos, silêncios, no jeito de reagir, no que se podia e no que não se podia sentir. Isso se instala na gente antes de a gente poder escolher. Por isso “não quero ser como ele” muitas vezes não basta: recusar um modelo ainda é ficar preso a ele, só que pelo avesso.
Ser igual e ser o oposto são a mesma armadilha
Repetir o pai ou negá-lo ponto a ponto são dois lados da mesma prisão: nos dois casos, é ele quem define o mapa, e você só se move dentro dele. Copiar e rejeitar não são liberdade, são reação. A saída não passa por decidir se você fica do lado dele ou contra ele, mas por deixar de organizar a própria vida inteira em torno dessa comparação.
Como criar um jeito que seja seu
Em terapia, o trabalho não é acusar o pai nem defendê-lo, e sim afrouxar o poder que esse modelo tem sobre as suas escolhas de hoje, inclusive nas suas relações, na sua forma de ser marido, pai, homem. Quando a herança para de funcionar como única régua possível, abre-se espaço para inventar um jeito de existir que não seja nem a cópia dele nem o seu contrário. Um jeito que, finalmente, é seu.
Henrique Galhano Balieiro · psicólogo · CRP 04/46512 · atendimento online