H. G. Balieiro · psicólogo · CRP 04/46512
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Caderno iv

Raiva sem motivo aparente

O afeto que escapa quando não encontra outra porta aberta.

Se você tem se pegado irritado o tempo todo, explodindo com quem não merece por coisas pequenas e depois se sentindo mal por isso, saiba que raiva “sem motivo” quase nunca é sem motivo. Ela costuma ser um afeto que não encontrou outra saída, e escapa pela única porta que ficou aberta.

Por que a raiva sai por coisas pequenas?

Porque o problema real geralmente é grande demais, ou proibido demais, para ser dito. Tristeza, medo, exaustão, frustração com a própria vida: muitos homens aprenderam que essas coisas não se falam. Então elas se acumulam sem canal, e a pressão vaza pela emoção que ainda é “permitida” ao homem: a raiva. O trânsito quebrado, o prato fora do lugar, não são a causa. São o vazamento.

Raiva não é o seu defeito de fábrica

É comum concluir “eu sou uma pessoa raivosa” e tentar apenas se controlar mais. Mas encarar a raiva como caráter estraga a leitura. A irritabilidade constante é menos um traço seu e mais um sintoma de desejo represado: alguma coisa em você quer se mover, ser dita, mudar, e não tem por onde. A raiva é a energia dessa coisa forçando a saída.

O que fazer com o que está por baixo

Controlar a explosão ajuda no imediato, mas não toca na fonte. Em terapia, o interesse é outro: abrir espaço para o que a raiva está protegendo ou anunciando. Quando aquilo que estava mudo encontra por onde circular (palavra, escolha, mudança concreta), a raiva costuma perder a função de válvula de escape. Não porque você “se controlou”, mas porque deixou de precisar dela.

Henrique Galhano Balieiro · psicólogo · CRP 04/46512 · atendimento online

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