H. G. Balieiro · psicólogo · CRP 04/46512
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Caderno iii

Sinto que estou vivendo no piloto automático

Como a vida vira trilho sem que a gente escolha, e como reabrir uma saída de dentro dela.

Se seus dias se repetem quase idênticos e você tem a sensação de assistir à própria vida de fora (acorda, trabalha, cumpre obrigações, dorme, recomeça) sem saber ao certo onde você foi parar no meio disso, você não está louco nem mal-agradecido. Você percebeu algo importante: a vida virou trilho, e faz tempo que você não escolhe o caminho.

Como a vida vira automática sem a gente notar?

Ela vira aos poucos. Cada rotina que se firma, cada resposta que já vem pronta, cada “é assim mesmo” vai fechando as saídas possíveis. Não há um dia em que você decidiu viver no automático. Foram anos de hábitos se acumulando até restar pouco espaço para o inesperado. O piloto automático é confortável e cansado ao mesmo tempo: pesa, mas dispensa a angústia de escolher.

Por que só “mudar a rotina” quase nunca funciona?

Porque trocar a academia de manhã por corrida à noite não mexe no essencial. O automático não está no horário; está no modo como a vida foi organizada para não ter surpresa, não ter risco, não ter desvio. Mudar de verdade não é rearrumar a agenda, é reabrir uma brecha por onde algo de novo possa entrar.

O que seria reencontrar uma saída?

O trabalho terapêutico aqui não é te encaixar melhor no trilho, nem te dar um método para “otimizar” a rotina. É ajudar a localizar onde ainda pulsa alguma coisa viva em você (um interesse abandonado, um incômodo que insiste, um desejo que você calou por ser inconveniente) e, a partir daí, abrir uma linha de fuga possível. Não fugir da sua vida: abrir passagem dentro dela.

Henrique Galhano Balieiro · psicólogo · CRP 04/46512 · atendimento online

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