Se você chegou a um ponto em que não sabe mais o que quer (nem no trabalho, nem nos relacionamentos, nem no futuro) e isso te deixa angustiado ou paralisado, você não está atrasado nem quebrado. Você esbarrou na pergunta mais difícil e mais importante que existe, e o incômodo de não ter resposta pronta é, por si só, um começo.
Por que “descobrir o que quero” parece impossível?
Em parte porque a pergunta costuma vir mal montada. A gente imagina que existe, escondido em algum lugar, um desejo verdadeiro e definitivo à espera de ser encontrado, como se bastasse procurar direito. Mas o desejo não é um objeto perdido. Ele não é algo que falta e que você acha; é algo que se produz, se experimenta, se descobre fazendo. Ninguém sabe o que quer parado, só pensando.
E se você já soube, e desaprendeu?
Muitos homens não é que nunca souberam o que queriam. É que aprenderam cedo a substituir o próprio desejo pelo que se espera deles. Ser prático, escolher o seguro, seguir o caminho que dá certo. Depois de anos assim, a voz do que era seu fica abafada. Não sumiu; ficou soterrada sob o que era “para” querer.
O que a terapia faz com essa pergunta
O trabalho não é te entregar uma resposta (“seu propósito é X”), porque isso seria só mais um roteiro pronto. É o oposto: criar um espaço onde você possa experimentar, tatear, dizer coisas que não fazem sentido ainda, reencontrar pistas do que te move de verdade. Desejar é um processo, não uma revelação. E ele quase sempre começa de dentro de um “não sei” levado a sério.
Henrique Galhano Balieiro · psicólogo · CRP 04/46512 · atendimento online